quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Ashtanga Yoga de Patanjali


muita gente conhece ou já ouviu falar do Ashtanga Vinyasa Yoga, a prática sistematizada por Pattabhi Jois, que é forte, fluida, com respiração sussurrante, cheia de suryas namaskar,  que faz suar a beça, e que foi popularizada aqui no ocidente pela Madonna... para saber mais sobre essa prática, a wikipedia tem um texto que explica o básico, aqui.
Muitos também já ouviram falar que o yoga é uma filosofia, mas não conseguem alcançar o significado dessa afirmação, porque não sabem que o yoga vai muito (muito mesmo) além das posturas e da respiração. como qualquer prática, o yoga exige disciplina. Física, sim, mas principalmente mental. é um exercício de descondicionamento, de quebrar padrões, se abrir, se investigar, se olhar, se conhecer.
Muitos textos clássicos abordam a filosofia e o conhecimento que o yoga traz ao longo desses quase 7.000 anos de existência. mas um texto em especial, os Yoga Sutras, onde o sábio Patanjali descreve os aspectos da prática em si, sistematizando em aforismos, o processo que o yogin necessariamente terá que enfrentar, em busca da grande libertação do ego, da iluminação. ]
 Patanjali, através de seu renomado tratado Yoga Sutras, transformou os ensinamentos em um Darshan ou filosofia. Em seu Yoga Sutras, Patanjali ordenou a prática do Yoga, dividindo-a em oito partes.
A palavra Ashtanga vem do sânscrito e é composta pela união de outras duas palavras, a saber: Ashta e Anga.
Ashta tem como tradução oito e Anga pode ser traduzida como partes ou ainda membros. Assim, a tradução livre da palavra é algo como O Yoga das Oito Partes ou os Oito Membros do Yoga. Comumente é chamada de Yoga dos Oito Passos. 
As oito partes do Ashtanga Yoga:

  1. Yama (Princípios ou código moral – auto restrições)
    Ahimsa – O princípio da Não-Violência.
    Satya – O princípio da Veracidade.
    Asteya – O princípio da Não Possessão Indevida.
    Brahmacharya – O princípio do Controle dos Desejos / Continência. Não é somente o celibato.
    Aparigraha – O princípio do Desapego ou Não-Possesividade.
  2. Niyama (Disciplinas Pessoais – auto-observâncias) *Shaucha - Pureza
    Santosha - Contentamento
    Tapas – Austeridade, firme comprometimento
    Swadhyaya - Auto-estudo, estudo espiritual
    Ishwar Pranidhan – Dedicação, auto entrega à Deus.
  3. Asana - (Posturas do Yoga / posições corporais) Uma postura estável e confortável que nos ajuda a atingir um equilíbrio mental.
  4. Pranayama - (Controle da Bioenergia) Extensão e controle da Bioenergia. Constituem de práticas respiratórias em sua maioria, mas não se restringem só a elas. Muitas vezes os mudras (gestos) e bandhas (contrações e travas corporais), bem como algumas asanas, podem ser consideradas como pranayamas, tecnicamente falando.
  5. Pratyahara - (Retraimento dos Sentidos) Uma preparação mental que nos ajuda a aumentar o poder da mente. Consiste no recolhimento dos sentidos do exterior, onde eles passam a se interiorizar e a seguir a mente.
  6. Dharana - (Concentração Sobre um Objeto) É a concentração da mente sobre um objeto e seu campo.
  7. Dhyan - (Meditação) É o retraimento da mente de todos os objetos externos, trazendo o foco da mente para o fluxo contínuo de lucidez, observando os objetos que se apresentam à mente com insenção, sem julgamento, buscando compreender a raiz emocional que constitui o objeto. Quando isso ocorre, desenvolvemos sabedoria. Esse gradual aumento da sabedoria faz, por conseqüência, aumentar nossa percepção da Consciência.Meditar não é parar de pensar, mas sim compreender o porque de pensarmos.
  8. Samadhi - (Expansão da Percepção da Consciência) É o aumento da percepção da Consciência. Estado onde imperam a beatitude, felicidade e a plenitude. Possui vários níveis, sendo o mais sublime conhecido como Nirbija Samadhi, onde há a dissolução do foco de Consciência individual, restando apenas a Consciência Universal (união do jivatman com o paramatman).
    Este é o objetivo final do Yoga, culminando na emancipação (moksha) ou libertação (mukti).

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