terça-feira, 4 de outubro de 2011

para praticar yoga

por B.K.S Iyengar, em "Luz na Vida"



A ioga é como um livro que contém as regras para uma forma de jogo da vida. Requer do jogador disposição de pensar por si mesmo, de observar e corrigir, de superar eventuais contratempos. Exige honestidade, aplicação constante e, acima de tudo, um coração amoroso.



A maioria das pessoas quer simplesmente saúde física e mental, compreensão e sabedoria, paz e liberdade... como seres humanos, tentamos conciliar o paradoxo de trilhar nosso caminho na terra, enquanto buscamos algo mais permanente e profundo. Muitos procuram essa Verdade no céu, mas ela está bem mais próxima do que as nuvens. Está dentro de nós,e pode ser encontrada por qualquer um que se aventure na jornada interior.
A finalidade da ioga é satisfazer essas necessidades num todo abrangente e incosutil. O objetivo é encontrar a integridade da unidade: unidade conosco e, consequentemente, com tudo que está além de nós. Assim, nos tornamos o Microcosmo Harmonioso no Macrocosmo Universal.
A INTEGRAÇÃO é o alicerce da totalidade da paz interior e da liberdade suprema.
        A ioga nos permite redescobrir o sentido de totalidade e encontrar DENTRO DE NÓS uma paz que não se deixa perturbar nem atormentar pelas incessantes tensões e batalhas da vida. Nos mostra um novo tipo de liberdade;


          Para um iogue, LIBERDADE significa não ser atingido pelas dualidades da vida, por seus altos e baixos, seus prazeres e sofrimentos. Significa a equanimidade e a descoberta de que existe, em cada pessoa, um núcleo interno sereno, sempre em contato com o infinito eterno e imutável.


          Quando se trata das necessidades mais íntimas, não há diferença entre nós. Somos todos seres vivos. Assim como as plantas buscam a luz do sol, nós buscamos a paz e a felicidade. O universo não criou a vida na expectativa de que o fracasso da maioria servisse de patamar para o sucesso de poucos.


         
 A ioga reconhece que o funcionamento do corpo e da mente pouco mudou ao longo dos milênios. Há tensões inerentes na maneira como nossa mente funciona, na maneira como nos relacionamos com os outros. Assim, o motor da indagação científica e filosófica da ioga é investigar a natureza da existência, com o objetivo de aprender a responder às tensões da vida sem tantos tremores e dificuldades.

          Do ponto de vista da ioga, cobiça, violência, preguiça, gula, orgulho, luxúria e medo não são formas do pecado original, cuja função é arruinar nossa felicidade – ou nas quais devemos basear nossa felicidade. São manifestações naturais, se bem que indesejáveis, da índole humana: desafios a ser vencidos, e não suprimidos ou negados. São uma oportunidade de evoluir, de desenvolver a consciência interna que possibilitará também a realização sustentável de nossas aspirações pelo que denominamos sucesso individual e progresso global.
          A ioga é como um livro que contém as regras para uma forma de jogo da vida. Requer do jogador disposição de pensar por si mesmo, de observar e corrigir, de superar eventuais contratempos. Exige honestidade, aplicação constante e, acima de tudo, um coração amoroso.
          Se você tem interesse em entender o que é um ser humano, colocado entre o céu e a terra; se tem interesse em saber de onde veio e aonde poderá chegar; se quer felicidade e anseia pela liberdade, então você já começou a dar os primeiros passos na direção da jornada interior.
          As regras da natureza não podem ser contornadas. Elas são impessoais e implacáveis. Mas é com elas que jogamos. Ao aceitar o desafio da natureza e entrar no jogo, embarcamos numa emocionante viagem ao sabor do vento, cujos benefícios serão proporcipnais ao tempo e empenho que lhe dedicarmos – o menor deles será chegar aos 80 anos e ainda conseguir amarrar os próprios sapatos, e o maior, a oportunidade de provar a essência da (sua própria) vida em si.

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