"a minha fé mais profunda é que podemos salvar o mundo pela verdade e pelo amor" (Gandhi)
domingo, 30 de agosto de 2009
o amor segundo krishnamurti
quando uma pessoa ama, deve haver liberdade - a pessoa deve estar livre, não só da outra, mas também de si própria.
No estado de pertencer a outro, de ser psicologicamente nutrido por outro, de outro depender - em tudo isso existe sempre, necessariamente, a ansiedade, o medo, o ciúme, a culpa, e enquanto existe medo, não existe amor. A mente que se acha nas garras do sofrimento jamais conhecerá o amor; o sentimentalismo e a emotividade nada, absolutamente nada, têm que ver com o amor.
O amor não é produto de pensamento, que é o passado. O pensamento não pode de modo nenhum cultivar o amor. O amor não se deixa cercar e enredar pelo ciúme; porque o ciúme vem do passado. O amor é sempre o presente ativo. Não é "amarei" ou "amei". Se você conhecer o amor, não seguirá ninguém. O amor não obedece. Quando se ama, não há respeito nem desrespeito.
Você sabe o que significa amar realmente alguém - amar sem ódio, sem ciúme, sem raiva, sem procurar interferir no que o outro faz ou pensa, sem condenar, sem comparar - sabe o que isto significa? Quando há amor, há comparação? Quando você ama alguém de todo o coração, com toda a sua mente, todo o seu corpo, todo o seu ser, existe comparação? Quando você se entrega completamente a esse amor, não existe "o outro".
Quando você faz alguma coisa por dever, há nisso amor? No dever não há amor. A estrutura do dever, na qual o ente humano se vê aprisionado, o está destruindo. Enquanto é obrigado a fazer uma coisa, porque é seu dever fazê-la,você não ama a coisa que está fazendo. Quando há amor, não há dever nem responsabilidade.
ao se perguntar o que é o amor, pode-se ter muito medo de ver a resposta. Ela pode significar uma completa reviravolta;
Mas, se desejar continuar a descobrir, verá que o medo não é amor, a dependência não é amor, o ciúme não é amor, a posse e o domínio não são amor, responsabilidade e dever não são amor, autocompaixão não é amor, a agonia de não ser amado não é amor, que o amor não é o oposto do ódio, como a humildade não é o oposto da vaidade.
Quando você "cria" a vontade e a disciplina para amar, o amor foge pela janela. Pela prática de um certo método ou sistema de amar, você pode se tornar teóricamente muito hábil, ou mais bondoso, ou entrar num estado de não-violência, mas nada disso tem algo em comum com o amor.
Poderemos encontrar o amor sem precisar buscar? - encontraremos o amor assim, como se encontra um belo pôr-de-sol?
Uma coisa me parece absolutamente necessária; a paixão sem motivo, a paixão não resultante de compromisso ou ajustamento, a paixão que não é lascívia. O homem que não sabe o que é paixão, jamais conhecerá o amor, porque o amor só pode existir quando a pessoa se desprende totalmente de si própria.
A mente que busca não é uma mente apaixonada, e não buscar o amor é a única maneira de encontrá-lo; encontrá-lo inesperadamente e não como resultado de qualquer esforço ou experiência. Esse amor, como vereis, não é do tempo; ele é tanto pessoal, como impessoal, tanto um só como multidão.
O amor é uma coisa nova, fresca, viva. Não tem ontem nem amanhã. Está além da confusão do pensamento. Só a mente inocente sabe o que é o amor, e a mente inocente pode viver no mundo não inocente. Só é possível encontrar o amor por meio das relações, do sexo, de toda espécie de prazer e de dor, só é possível encontrá-lo quando o pensamento, alcançando a compreensão de si próprio, termina naturalmente. O amor não conhece o oposto, não conhece conflito.
Mas, se não sabe chegar nesse amor, o que você pode fazer? Quando não temos mais o que fazer, nada fazemos, não é verdade? Nada absolutamente. Então, interiormente, estamos completamente em silêncio. Compreende o que isso significa? Significa que não está buscando, nem desejando, nem perseguindo; não existe nenhum centro. Há, então, o amor. simplesmente.
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