Não vemos a realidade como ela é, mas como somos nós mesmos. Mas o que é a realidade? Ram Dass explica que “crescemos com um plano de existência que denominamos o real. Identificamo-nos por inteiro com essa realidade, tida por absoluta, e descartamos as experiências não compatíveis com ela como sonhos, alucinações, insanidade ou fantasia. O que Einstein demonstrou na física aplica-se também aos outros aspectos do cosmos: toda realidade é relativa. Cada realidade é verdadeira apenas dentro de certos limites; é apenas uma versão possível do modo de ser das coisas. Sempre há múltiplas versões da realidade. Despertar de uma realidade relativa é reconhecer-lhe a natureza relativa. A meditação é um instrumento para fazer precisamente isso.”
Os últimos três estágios do Yoga de Pátañjali, concentração, meditação e iluminação, constituem a técnica tríplice chamada samyama e são conhecidos como antaranga, membros internos, por oposição aos anteriores (bahiranga = externos), que regem a vida exterior. Isto, porque no samyama não se precisa nenhuma técnica fisiológica nova. A partir daqui, tudo acontece da pele para dentro.
E uma das coisas que acontece quando você medita, é a aparição dos poderes psíquicos, chamados siddhis. Qualquer estado mais elevado de consciência desencadeia os siddhis. Os siddhis vêm sozinhos com a prática, mas não são importantes. Importante é o seu desenvolvimento. Se poderes específicos surgirem ao longo do caminho, tudo bem. Pátañjali adverte sobre o perigo que se esconde na tentação de usar os siddhis. Pois quando alguém os obtém e começa a utilizá-los, esquece do objetivo do Yoga. É como se você pegasse uma chave de fenda para fazer algum conserto, mas, ao invés de trabalhar, ficasse olhando extasiado para o reflexo do sol nela e esquecesse para que você a pegou. Pátañjali dedica um capítulo inteiro do Yoga Sútra aos siddhis, porque você precisa saber o que é inútil também. Se ele não descrevesse os poderes, um a um, o praticante poderia se perder. Tudo o que você não entende lhe dá medo. Mas se você souber exatamente o que é um siddhi, quando ele se manifestar, você não entrará em pânico nem perderá o controle da situação.
* por Pedro Kupfer, em Yoga Prático
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