terça-feira, 11 de agosto de 2009

o universo dança



No Universo, A Dança se dá por movimentos que são simples impulsos - que trazem em seus próprios atos a conclusão dos motivos pelos quais foram feitos, e pelos movimentos utilitários - que requerem economia de forças e cuja conclusão se dá no atingimento daquilo pelo qual foi intencionalmente feito. No Universo, esses dois movimentos se equivalem, e formam a dança da própria vida.


Na Dança, o Universo parece ser outro, embora ainda contenha os dois tipos de movimentos que encontramos na Dança do Universo. Na verdade, em ambos os casos, podemos falar de Multiversos que se reúnem num ponto em comum do movimento: ora impulsivo e espontâneo, ora voluntário e intencional. Ambos porém, autênticos, próprios do fenômeno da vida.

Mas o que diferencia O Universo da Dança da própria Dança do Universo (embora esteja contida nessa dança cósmica), é a busca de um impacto estético através do homem. Ao menos, no próprio Universo, é impossível determinar que haja essa busca. No universo do homem, em sua subjetividade, em sua condição de sujeito histórico, a busca por esse impacto delimita a expressão artística frente a qualquer outra atividade.

Mas não é por que não se pode detectar essa busca estética do próprio Universo, de que os gregos sempre gostaram, que possamos negar sua existência: afinal "a ausência de evidência não se constitui a evidência de ausência". Se a vida tende a organizar-se numa maior complexidade, por que não falarmos numa busca estética da própria existência?

Pois então, agora é bem possível que haja muito mais afinidade entre o Universo da Dança e a Dança do Universo do que eu supunha antes.

No homem, o Universo parece reproduzir-se tanto naquilo que ele tem de imponderável e indeterminado, quanto naquilo que é possível prever fenomenologicamente. No homem parece não existir movimento que não se conclua ora em si mesmo, ora em sua intenção voluntária de atingir um fim. E ambos podem ter impacto estético. Ambos podem ser dança. Ambos podem ter o ritmo como modus operandis de sua expressividade. Ambos, por fim, podem dar ao homem muito mais do que simples locomoção, mas sentidos próprios para outros patamares de existência.

Não existe dança sem vida. E a vida? Valeria a pena sem dança? O universo dança!

* PARA LER:
A Dança do Universo - dos Mitos da Criação ao Big-
Bang - Marcelo Gleiser

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